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Sorte das crianças depois da morte

Detalhes
Escrito por Cremildo Freitas
Última Atualização: 02 Julho 2026
Acessos: 22

O tema é tratado nas questões 197, 198 e 199 do Livro dos Espíritos. Allan Kardec nasceu em uma família católica em Lyon, França e talvez motivado pelo conhecimento que tinha da Doutrina católica resolveu perguntar sobre a sorte das crianças depois da morte.

 198. Não tendo podido praticar o mal, o Espírito de uma criança que morreu em tenra idade pertence a alguma das categorias superiores?
“Se não fez o mal, igualmente não fez o bem e Deus não o isenta das provas que tenha de padecer. Se for um Espírito puro, não o é pelo fato de ter animado apenas uma criança, mas porque já progredira até a pureza.”

Na doutrina católica, a questão da sorte das crianças após a morte é tratada sobretudo à luz da misericórdia de Deus.

Crianças batizadas: a Igreja ensina que as crianças que morrem após receber o batismo são salvas e participam da vida eterna com Deus, ou seja vão para o céu.

Crianças não batizadas: durante muitos séculos, e na época de Kardec ainda era assim, alguns teólogos propuseram a ideia do Limbo das Crianças (um estado de felicidade natural, mas sem a visão de Deus). Porém, essa nunca foi uma doutrina oficial da Igreja.

Na época de Kardec, a Igreja Católica afirmava que havia fundadas razões para esperar que Deus salvasse as crianças que morriam sem batismo. Atualmente as crianças que morrem sem ser batizadas, vão para o céu: essa é a conclusão da Comissão Teológica Internacional (A Comissão se compõe de teólogos de diversas escolas e nações, eminentes por ciência e fidelidade ao Magistério da Igreja. Os membros, de aproximadamente 30 pessoas, são nomeados pelo Santo Padre por cinco anos a partir da proposta do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé), em seu documento "A esperança da salvação para as crianças que morrem sem o Batismo", com 41 páginas, e aprovado pelo Papa Bento XVI em 19 de abril de 2007.  

Fonte: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_documents/rc_con_cfaith_doc_20070419_un-baptised-infants_po.html

Mas qual a posição em relação aos bebês em aborto espontâneo, natimortos ou abortados? A posição católica é a mesma: essas crianças vão para o céu.

Vejamos o que é a infância (período de criança) numa dissertação de Além-Túmulo denominada A INFÂNCIA que foi uma Comunicação espontânea do Sr. Nélo, Médium, lida na Sociedade Parisiense em 14 de janeiro de 1859 e que foi publicada na Revista Espírita de fevereiro do mesmo ano. "Não conheceis o segredo que, na sua ignorância, escondem as crianças. Não sabeis o que são, nem o que foram, nem em que se tornarão. E, contudo, as amais e as prezais como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal sorte que o amor de uma mãe pelos filhos é reputado como o maior amor que um ser possa ter por outro ser. De onde vem essa doce afeição, essa terna benevolência que os próprios estranhos sentem por uma criança? Vós o sabeis? Não."

Mas o derradeiro esclarecimento sobre a sorte das crianças foi registrada no livro "O Céu e o Inferno" no capítulo 8 - Expiações Terrestre o caso "Marcel, o menino número 4". num hospital de província um menino de 8 a 10 anos, cujo estado era difícil precisar. Designavam-no pelo nº 4. Totalmente contorcido, já pela sua deformidade inata, já pela doença, as pernas se lhe torciam roçando pelo pescoço, num tal estado de magreza, que eram pele sobre ossos. A moléstia dominava aquele organismo, já de oito longos anos, e no entanto demonstrava o enfermo uma inteligência notável, além de candura, paciência e resignação edificantes. O médico que o assistia, cheio de compaixão pelo pobre um tanto abandonado, visto que seus parentes pouco o visitavam, tomou por ele certo interesse. Não só o tratava com bondade, como lia-lhe quando as ocupações lhe permitiam, o menino inteligente sofria dores atrozes sem reclamar, onde teria ido essa criança haurir tais sentimentos? Certo, não foi no meio em que se educou; além disso, na idade em que principiou a sofrer, não possuía sequer o raciocínio. É preciso negar a bondade de Deus, ou admitir a anterioridade de causa; isto é, a preexistência da alma e a pluralidade das existências. Os últimos pensamentos desta criança, ao desencarnar, foram para Deus e para o caridoso médico que dela se condoeu. Decorrido algum tempo, foi o seu Espírito evocado na Sociedade de Paris, onde deu a seguinte comunicação (1863):

 — P. Pelo que afirmais, parece que os vossos sofrimentos não eram expiação de faltas anteriores...

 — R. Não seriam uma expiação direta, mas asseguro-vos que todo sofrimento tem uma causa justa. Aquele a quem conhecestes tão mísero foi belo, grande, rico e adulado. Eu tivera turiferários e cortesãos, fora fútil e orgulhoso. Anteriormente fui bem culpado; reneguei Deus, prejudiquei meu semelhante, mas expiei cruelmente, primeiro no mundo espiritual e depois na Terra. Os meus sofrimentos de alguns anos apenas, nesta última encarnação, suportei-os eu anteriormente por toda uma existência que raiou pela extrema velhice. Por meu arrependimento reconquistei a graça do Senhor, o qual me confiou muitas missões, inclusive a última, que bem conheceis. E fui eu quem as solicitou, para terminar a minha depuração.

Adeus, amigos; tornarei algumas vezes. A minha missão é de consolar, e não de instruir. Há, porém, aqui muitas pessoas cujas feridas jazem ocultas, e essas terão prazer com a minha presença.     Marcel.

Instruções do guia do médium

Pobrezinho sofredor, definhado, ulceroso e disforme! Nesse asilo de misérias e lágrimas, quantos gemidos exalados! E como era resignado... e como a sua alma lobrigava já então o termo dos sofrimentos, apesar da tenra idade! No além-túmulo, pressentia a recompensa de tantos gemidos abafados, e esperava! E como orava também por aqueles que não tinham resignação no sofrimento, pelos que trocavam preces por blasfêmias!

Foi-lhe lenta a agonia, mas terrível não lhe foi a hora do trespasse; certo, os membros convulsos contorciam-se, oferecendo aos assistentes o espetáculo de um corpo disforme a revoltar-se contra a sorte, nessa lei da carne que a todo o custo quer viver; mas, um anjo bom lhe pairava por sobre o leito mortuário e cicatrizava-lhe o coração. Depois, esse anjo arrebatou nas asas brancas essa alma tão bela a escapar-se de tão horripilante corpo, e foram estas as palavras pronunciadas: “Glória a vós, Senhor, meu Deus!” E a alma subiu ao Todo-Poderoso, feliz, e exclamou: “Eis-me aqui, Senhor; destes-me por missão exemplificar o sofrimento... terei suportado dignamente a provação?”

Hoje, o Espírito da pobre criança avulta, paira no Espaço, vai do fraco ao humilde, e a todos diz: — Esperança e coragem. Livre de todas as impurezas da matéria, ele aí está junto de vós a falar-vos, a dizer-vos não mais com essa voz fraca e lastimosa, porém agora firme: “Todos que me observaram, viram que a criança não murmurava; hauriram nesse exemplo a calma para os seus males e seus corações se tonificaram na suave confiança em Deus, que outro não era o fim da minha curta passagem pela Terra.”                 Santo Agostinho.

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