Espíritismo - um novo paradigma
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- Escrito por Cremildo Freitas
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Para iniciar as nossas reflexões vamos comentar brevemente sobre a filosofia da ciência, abordando algumas ideias a respeito do relacionamento entre a teoria científica e a realidade. A ciência ocidental, a partir da Revolução Industrial, alcançou sucesso estrondoso. Suas orientações materialistas substituíram a teologia e a filosofia como guias principais da existência humana, e transformaram de modo inimaginável o mundo em que vivemos. Na época as ideias e o método científico eram reconhecidos como um passo lógico de aproximação, cada vez mais apurada, da descrição do universo. Entretanto o desenvolvimento da chamada "ciência normal" depende de um paradigma bem estabelecido. Um paradigma pode ser definido como uma constelação de crenças, valores e técnicas compartilhadas pelos membros de uma determinada comunidade científica, ele é tão essencial à ciência quanto a observação e a experimentação.É impossível praticar ciência sem um conjunto de crenças a priori
Nesse sentido, os paradigmas desempenham um papel ambíguo, complexo e crucial na história da ciência. Pelas razões citadas, tomam-se essenciais e indispensáveis para o progresso científico. No entanto, em algum estágio do desenvolvimento, funcionam como camisas-de-força conceituais que interferem drasticamente com a possibilidade de novas descobertas e explorações de novas áreas da realidade. Quando um paradigma é aceito pela maioria da comunidade científica, toma-se a forma mandatória de abordar problemas. Eles possuem tanto uma influência normativa quanto cognitiva, e contêm ainda afirmações a respeito da natureza e da realidade [Ref 1.].
Novas teorias não podem surgir sem mudanças destrutivas nos sistemas antigos a respeito da natureza. Uma teoria realmente nova e radical nunca poderá ser uma adição ou incremento ao conhecimento já existente; apenas eventos dessa natureza representam revoluções científicas verdadeiras. São exemplos desse tipo de mudança a transição da física aristotélica para a de Newton, ou da de Newton para a de Einstein, assim como dos sistemas geocêntricos ptolomaicos para a astronomia de Copémico e Galileu, ou ainda a teoria flogística para a química de Lavoisier. Cada uma delas exigiu a rejeição de uma teoria científica amplamente aceita e honrada em favor de outra que, em princípio, era incompatível com ela. Podemos dizer que é um caso da lei de destruição revelada no livro dos Espíritos [Ref 2.]
Parte Terceira - Das leis morais - Capítulo VI - Da lei de destruição, Q. 728 [Ref 2.], podemos utilizar como ideia similar a mudança de paradigma que:
“Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria..." dos seres e das coisas. A destruição nesses casos é uma transformação e não uma aniquilação. Precisamos ter desapego as ideias, aceitando as mudanças como parte da existência, e entendendo que a destruição de antigos paradigmas fazem a civilização caminhar mais rápido.
O Espiritismo tem o mesmo papel de quebrar paradigmas da "ciência normal" , vem falar-nos da imortalidade da alma, da sua comunicabilidade; a ideia de Céu e Inferno caem por terra, o Deus antropomórfico não existe, ele vem dizer ao homem pós-moderno que o ser é fruto do seu passado, colocando que todas as suas ações se prendem às experiências vivenciadas ao longo dos milênios, construindo sua própria história a partir da utilização boa ou má do seu livre-arbítrio. O Espiritismo vem mostrar que os fenômenos espíritas, são baseados em leis da natureza, não tem nada de maravilhoso ou sobrenatural no sentido vulgar destas palavras, de sorte que o que em outrora parecia sobrenatural já não o é hoje e o que ainda o é hoje não mais o será amanhã, como aconteceu com os fenômenos elétricos e do movimento dos astros [Ref 3].
Referências:
- GROF, STANISLAV - Além do Cérebro;
- KARDEC, ALLAN - O Livro dos Espíritos;
- KARDEC, ALLAN - Obras Póstumas.